(Acho que, se esse ainda é um trabalho com evidência na gênese conceitual que expus neste processofólio, o é somente por aqui mesmo e para as poucas pessoas que me acompanharam nos primeiros meses de seu desenvolvimento, já que, atualmente, pouco falo – para quem pergunta o porquê carrego um tecido repousado no ombro – sobre esses estímulos que me levaram a tal. Talvez em algo – penso – esta bandeira seja um de meus trabalhos restritos, privados, quase que não-públicos; quem a vê em mim não pode intuir a minha real motivação em sua complexidade, e quem me pergunta sobre ela tem respostas evasivas de minha parte, onde digo que é só um tecido, que é como um hábito, que não passa de uma roupa inútil – a grosso modo, tal como uma gravata -. Poucos sabem que é uma bandeira, e que é uma bandeira arriada, e que nunca será hasteada porque nunca hastearia bandeira alguma, e que é de linho, e que, portanto, tal qual um sudário, carrega as marcas de meu suor e do suor dos outros corpos com que cruzo, e que, penso agora e por fim, esta bandeira permanece arriada menos porque não quero hastear que por precisar cumprir sua função enquanto sudário; por sua vocação ao suor, flamula baixo o suficiente para roçar as peles, na pretensão de secar o mundo a partir de mim, pequeno demais para secar o mundo, pequeno demais para suportar o hasteio (ou será que, por flamular, na verdade está hasteada em mim?))

André Vargas 15 de fevereiro de 2017 21:44

Este é um convite inevitável para uma exposição desnecessária

acontecer de cor-tecido.

Você está sendo convocado a fazer uma bandeira. Você está sendo intimado a fazer da bandeira um suporte pictórico-simbólico tal qual um quadro. Você está sendo cooptado para empunhar as cores em conjunto em um espaço público. Você está sendo invitado e a transformar a praça pública em espaço expositivo. Você esta sendo convidado a conectar sua bandeira a outras bandeiras.

Sorria, você está sendo cotado para uma exposição do estranho nem tão estranho de dentro do – Fora temor!

3 REGRAS DA LIBERDADE:

1 – Toda bandeira deve ser feita com tecidos e/ou tintas somente nas cores vermelho, branco, preto e amarelo. (com o claro objetivo de deixar-se confundir com um princípio de manifestação política de orientações claras);

2 – Nas bandeiras não poderá haver frase, palavra, letra ou grafia que indique um sentido de comunicação estabelecido previamente. A ideia é que as cores das bandeiras juntas já consigam comunicar e causar impacto suficiente;

3 – Você deve repassar esse convite a pessoas que você cogite algum interesse nessa empreitada. Mas, como em uma manifestação outra, não se poderá ter um controle sobre quem irá ou não comparecer ao evento, podendo ser muitos ou poucos (O mínimo desse encontro sou eu – e você?).

DIA: 29 de maio
HORÁRIO: 18 horas
LOCAL: Praça Mauá – diante da estátua do barão.