não tem pintura
não tem fatura
não tem Autoria com “a” maiúsculo nem autorias (mas acho que há
disputas)
não tem vídeo
não tem cor
não tem o outro (porque não tem eu)
não tem inutilidade (da premissa que “a arte é inútil”)
não tem colagem
não tem revolução (mas talvez tenha uma revolução calma)
não tem missão, visão nem valores
não tem democracia, justiça, igualdade ou estética relacional
não tem beleza (já que ela ainda está sendo disputada entre o automóvel e a vitória de samotrácia, peleja inaugurada no manifesto futurista)
não tem modelagem (apesar de ter desbaste)
não tem estabilidade
não tem só arte
não tem solidão
não tem perfeição
não tem resignação
não tem pauta única, manifestações pacíficas ou o grito do “sem violência” proferido nas ruas em 2013
não tem prolixidade não tem vontade de saber, de fazer, de existir…
não tem cavaleiro
(tem cavalo)
não tem música
não tem ininterrupção
não tem encontro a dois (só poligamia, relações abertas, orgias…)
não tem imperativo
não tem posse
não tem sábio
não tem liberdade
não tem assinatura que eu dê em coisa minha com a consciência limpa.
Lista das coisas que eu acho que não tem em meu trabalho, realizada em proposição de Marta Mestre no programa de Práticas Artísticas Contemporâneas – Nível II, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage | 2015