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Diria que, um dia, um olho cego me olhou.

A porta do trem entreabrindo, e eu sairia, se não alguém na minha frente, sua cabeça baixa. Permaneci. Ele ergueu seu olhar. Antes de desviar me olhou. Seu olho cego era um só (o outro via, o que não me importava:(: foi na sua única retina esbranquiçada que estranhei, direcionada aos meus olhos, ocupar-se da visão que não pôde, mas que sempre parecerá exercer a quem a encarar, assim como eu. Todavia,., porque me mirou de volta?.. como sou patético rs. Chego a duvidar de uma cegueira patente.

Ou: detida em mim, parecendo me olhar, interrogava se era ela a retina que não poderia algo ou meus olhos que eram incapazes de cegueira. – Não. Eu disse ainda há o que eu não possa ver.

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Você tem um problema com crase mesmo, né?: meados de 2015. Um orientador olhava meu texto, se permitindo o comentário após meu quarto erro consecutivo no uso da acentuação. Ainda houveram outros, que não vi, e que ainda mal percebo hoje em dia.

Uma crase são duas letras ‘a’, uma de frente para a outra. A ponto de fundir-se, o impedimento manifesta-se pela acentuação: é o modo de não fazer desaparecer uma pela outra. Desse modo, um terceiro signo surge, simulacro de um abraço assassino.

O foda é vê-las assim camufladas, ainda que sobreviventes.

Frente às chamas que consumiram um museu nacional, vi meu arquivo tão poeira. Um sopro e minha memória irá. Me vejo revendo todo o esforço, confiança e todo o fervor que empreendi em preencher, em me documentar.

É como quando em quinze do sete desse ano, em que escrevi em meus arquivos sobre três caixas de papelão infestadas de cupins, que continham coisas que até então havia chamado de obras. Postas na calçada junto ao lixo, via com alívio irem embora; era a chance d’eu me tornar outra coisa. Combinou com dois mil e dezesseis, dia dezoito de janeiro, quando anotei como objetivo ter traças como audiência. Pude ver finalmente a agitação de uma platéia similar.

Mas não. Nem a ânsia por memória nem a carne putrefando. O incêndio me faz ver quem me vê. Faz me ver quem eu vejo. Me faz querer mais que perenidade. A vivacidade das chamas, seu flamejar.

Desde 1989, há coisas postas em meu arquivo. As listei em dois mil e quinze, e ainda assim me falta gente. Falta perder mais o eixo de mim. Os dedos dos outros não deixam suas marcas aqui tão bem. cúpulas de vidro me protegem, eu que sou todo museu. Cabe rever as faixas de separação. Destituir a autoria. Rever a arte de um só. Cabem os dedos.

Jandir Jr.:

To pensando em não tentar mais mestrado.

To pensando no tipo de obra que quero fazer no mundo, e acho que não é uma dissertação

Acho que é o arquivo que já faço o que quero fazer aqui em vida

Daí percebi que nunca me dei a oportunidade de cogitar me dedicar a ele completamente.

Como meu grande projeto de vida (afirmar ele como meu objetivo sem buscar vinculá-Io a alguma instância legitimadora, como a academia, por exemplo)

Mas preciso fazer isso, se não vou viver uma mentira. Mais uma, fora as mentiras da humanidade que preciso viver pra ganhar um salário

É isso. E tem muita coisa de linguagem, de formato, que eu quero tornar melhor no arquivo. Quero que seja muito legal ler ele, como um bom livro.

Vamos ver.

Beijo. Bom dia.

Aline B, [26.08.18 18:28]
olha

Aline B, [26.08.18 18:28]
sabia disso

Aline B, [26.08.18 18:28]
?

Aline B, [26.08.18 18:28]
kk

Aline B, [26.08.18 18:28]
nosso video!

Aline B, [26.08.18 18:28]
temos um video

Aline B, [26.08.18 18:28]
!!!

Aline B, [26.08.18 18:28]
2016

Jandir Jr., [26.08.18 19:13]
Mentira!!

Aline B, [26.08.18 19:13]
inferesaante ein

Aline B, [26.08.18 19:13]
kkk

Jandir Jr., [26.08.18 19:13]
Que legal

Jandir Jr., [26.08.18 19:13]
Quero ver!

Jandir Jr., [26.08.18 19:16]
Que video será esse

Aline B, [26.08.18 19:17]
eh aqle

Aline B, [26.08.18 19:17]
dos papeis voando

Aline B, [26.08.18 19:17]
soh q nem eu nem vc tem

Aline B, [26.08.18 19:18]
kkk

Aline B, [26.08.18 19:18]
um trab q existe

Aline B, [26.08.18 19:18]
no pendrive de algm

texto… um txto p a exposição. Sua composição não seria como a de 1 sólido. Caberia mqis dúvida a um txt q se trate d uma exposição d croquis. Cabe fazelo enquanto seu trâmite se faz. Percorre as linhas Innvisiveiq de suas pautas escolares, linhas azuis d caderno, bemp vi. Sólida. Capadura guarda os ensaios das assinaturas q todas nós daremos em qualqyer documentos, nossa caligrafia já não questionadda, a morte do aprumo para com as letras, não: q sseja esse txto todo ele aprumo para com o arredondado das vogais.

E escorrerá da folha a4. Que segurem a pagina reta, horizontl, pq as letras desandarao. um texto caindo pelas bordas, ou cabe olha,lo com meus olhs: fazems um txt q… fosse um tentativa de fazer ele mesmo. (deixa eu ver como eu posso falar isso melhor)….. um texo autoreferente.  txt que comenta sua própria constituição como texto de exposição.

i um dia, percebi que um text asskm falta às suas tarefas. um texto desss deveria falar sobr exposição e só; ultrapassar os dilemas sobre simesmo p dar conta de sua obrigação vocaçional às coisas dxs outras. penso entaõ nessas obras todas sobre a mesa. i Ond esta então o compromisso dessas.coisas q tão aqui, ensimesmadas qsao? todas ~tao preocupadoaos cnsigo mesmas, como essas letras daq. Formigas brita, croquis livro s páginas o vo meu pé , a propaganda e a promoção almejandose, o qu va Nasccer e um .jpg, Tudo tao em sua incompletude. i uma plateia avida por seu constituir-se se forma em torno, espectadors desas novelas estranhas, e voltam suas costas ao constituído nun tudo. É tanto q nós, audiência e atores, e minhas letrs, temos por decidido e ojtorgado a futura inesistencia d um ponto fina

(nos cabem longos prados vagos entre o final de um texto e o início de outro. É legível esse grande campo que separa o tudo daqui de todo o resto do que se lerá. Uma imensidão, perceberemos, com uma estonteante ausência de ligação)

texto para a exposição Experiência nº 16 – Mesa de cabeceira, no espaço A MESA, no morro da Conceição, Rio de Janeiro.

Umx mediadorx se põe entre duas, dois pólos. Há a quem interesse dizer que umx mediadorx liga esses opostos. Mas duas existências, até então estanques, podem se unir de muitas formas, e muitas vezes prescindindo da assistência de qualquer terceiro. Duas pessoas podem ser apresentadas por alguém, ou se pegarem trocando opiniões sobre o trânsito, sentadas uma ao lado da outra em um ônibus, por exemplo. Umx mediadorx, por sua vez, pode conciliar um conflito entre duas partes, mas não é por ele a solução nem o enlace entre estxs, que pertencem e beneficiam a quem foi assistidx somente. Portanto, antes de tudo, umx mediadorx interfere na relação que vai se estabelecendo num contínuo entre duas, dois pólos.

Como mediador em um museu de arte, eu desejo interferir de modo a construirmos discursos críticos eu, as obras de arte e essas pessoas que me acompanham, minhas semelhantes. E discurso crítico só há se há a voz dissonante, aquela que revira o objeto do discurso, aquela que é a antítese frente à tese. Por isso só cabe falar sobre uma mediação crítica, como aqui falo, quando não sou o único a falar e quando minha voz não ancora autoridade sozinha, d’eu que sou museu. Quando não seguimos isso, quando quem me acompanhou não falou, ou rendeu sua voz frente à minha, não fui mediador, ainda que tenha produzido criticidade em quem me ouviu. Tudo bem quanto a isso: nem todo o dia estamos em roda, nem à frente nem atrás dxs nossxs.

Também, a rotina me condiciona um tanto os gestos. Percebo-me retribuindo um olá acompanhado de um toque no ombro somente meneando a cabeça, murmurando sorridente. Isso remonta a quando tocava visitantes nos ombros, avisando-lhes o que poderiam ou não fazer, e me recomendaram não encostar em ninguém ao entrar em contato aqui no museu, pois sempre haveria o risco iminente de um processo contra mim, da parte de alguém que entendesse meu toque como violência. Desde então esse protocolo se amalgama a uma crescente protocolar em como me relaciono com pessoas que assisto quando trabalho, o que me trás alguma paz e isenção na lida cotidiana com tantxs, mas que me vem como alguma frieza nos dias em que desperto desse sono dos meus gestos, bêbados dos dias.

Cabe, disso tudo, saber que impera anterior à mediação uma grande galeria vazia de gente, com excessão de mim e uma pessoa a observar uma obra de arte em seu extremo oposto, distante o suficiente para que eu pense em todo o longínquo que é entre nossas peles, e até entre o curto espaço entre seus olhos e a tela, que não me têm interferindo suas mútuas afetações. Mediadorxs, quando exercendo-se ao invadir, surgem e fazem surgir discursos críticos em um lugar que não foi sequer cogitado. O campo de visão é na verdade uma fresta entre as coisas. Os olhos são uma dessas coisas, no oposto do oposto que é a obra. Há então um espaço a ocupar no que se vê em uma exposição: nesse vácuo à um palmo da visão do objeto artístico. Ali se faz mediação. Críticxs ou não, mediadorxs lhe invadem, nunca convidadxs. Ali começa tudo.

umbandista

vegano(é só modo d dizer: não sou )

consumir tecnologia de segunda mão     o máximo q conseguir

roupas só de brechó  o máximo q conseguir

mudar o guarda roupa para cores claras

fiz um altar no meu quarto(

tomo banho de ervas quando preciso

rezo

medito &pretendo ir no vipassana)

o que faço como performer é muito meditação

(não pirar com o peso que é performar para as elites  )

entusiasma c a alimentação viva, crua, frutas,,

desistindo aos poucos de ser academico

(a governança desiste por mim tbm disso),

escrever mais pra q seja bonito q pra q seja inteligente

poema

malho

amo muito as pessoas ao meu redor

quero ajudár no q precisarem, todos encarnados desencarnado

ver arte, ler art, sem o peso, sem esse peso que anda carrego cmg.

com amor.

trabalhar no remunerado destruiu muito do qu tava em mim, tive q refazer-me tudo

ohlar p arte de modo burocrata, como aprendi, enrijeceu minha relação com.

cabe mudala

amolecer.

(e não consumo mais pornografia_)