“desde 2015, tenho um site – processofolio.tumblr.com – onde registro-me. comecei a fazê-lo ao decidir que não gostaria mais de ter um portfólio dos meus trabalhos . nisto, percebi que até mes¨mo trabalhos não gostaria mais de fazer ; que preferiria falar sobre não conseguir. a imaterialidade a que as palavras me remetem.

mas mesmo quando fiz trabalhos prezei por algo que remetia, se não somente clmt ao imaterial, a rarefação de minha própria inteøcionalidade, racionalidade, ego, em suma e nisto, só consigo me perguntar| como conciliar a escrita /em 1ª pessoa, atividade pela qual desejo me expressar atual agora, com a vontade de |. /me rarefazer.”

gostaria de ter  terei ainda um pouco menos de pretensão com relação à minha publicização.

“como não mudar o mundo?”

(3/1/17 deixei um desenho q fiz no banco do onibus e saltei.)

limpando meu quarto só com água e subtraindo dele certas coisas, de modo a me manter com o mínimo possível.

 

(não tenho interesse em propagar prerrogativas morais sobre a arte, já que me interessa olhá-la como conceito em disputa e, por afirmá-la em disputa, me posicionar próximo aos que são periféricos à ela enquanto hegemonia mas, ainda assim, buscam tomá-la em suas próprias mãos, fazendo-a ferramental a si. contudo, constantemente me recordo do que ouvi do mestre franz manata quando fiz suas aulas: que, quando nos perguntamos sobre o que mais colocar num trabalho de arte que julgamos quase finalizado, devemos parar ou talvez devêssemos retirar-lhe algumas coisas, pois nos perguntar o que mais pôr pode ser o indício de que colocamos demais ali.)

Escrever pode ser, ou é, a necessidade de tocar a realidade que é a única segurança de nosso estar no mundo – o existir.

Iberê Camargo

I am still alive.

On Kawara

Jandir Jr. <mailexpressivo@gmail.com>29 de dezembro de 2016 21:25
Para: André Vargas <andrevargasantos@gmail.com>

antipoesia

[Texto das mensagens anteriores oculto]


fé e fogo

 

(não pretendo mais conjugar o verbo querer. o desejo me situa em condição abstrata: no ideal, no futuro, no devir – por exemplo, quando falo “quero morar sozinho”. já pensar a partir do que posso fazer, situando minha pulsão no que me é alcançável agora, evanesce o me localizar em abstração. posso exemplificar dizendo, ao invés do “quero morar sozinho”, “vou morar sozinho”. e, se por acaso morar sozinho não é possível, se não possuo as condições materiais ou atitudinais para impulsionar essa realização, me detenho a lançar minha ação numa outra empreitada que posso realizar no agora, destituindo o “morar sozinho” da condição de algo que eu queria para que ele esteja em sua condição ideal puramente; sendo ideia, sendo nada real para mim, que eu possa revisitá-lo em outro momento em que seja possível o tornar factual, e não que eu permaneça nele em sua condição de desejo, que me impulsiona a mantê-lo em mim e me manter nele, numa união que só o sustenta como meu objetivo longínquo, no qual não consigo estar totalmente engajado – logo, como abstração que se reivindica em minha realidade -, e nada mais produtivo e factual. em princípio, pensei em escrever que não quero mais conjugar o verbo querer, mas percebi o equívoco, já que não pretendo mais conjugar o verbo querer.)

(27.12.2016 – Alguém está numa situação em que ainda não assumiu compromissos sociais. Se sua conduta for simples, permanecerá livre deles. Estando satisfeito e evitando fazer exigências aos outros, ele poderá seguir calmamente suas predileções. o significado desse hexagrama não é estancar, porém seguir adiante. Alguém se encontra, ao início, numa posição insignificante. Mas possui a força interna que possibilita o progresso. Se ele se contenta com a simplicidade, poderá seguir adiante sem culpas. Quando um homem está insatisfeito com condições modestas, torna-se inquieto e ambicioso, querendo progredir, não para realizar algo de valor, mas apenas para escapar da pobreza e, ao atingir sua meta, torna-se arrogante e apegado ao luxo. Por isso seu progresso é acompanhado de culpa. O homem capaz, ao contrário, está satisfeito com sua conduta simples. Ele quer avançar de modo a executar alguma coisa. Uma vez alcançado seu objetivo, algo é realizado e tudo fica bem)

mas deveria estar me preocupando com as poucas pessoas de 5 anos com quem, talvez, tenha interlocução lá na frente, e não com a utopia em fazer um desenho que só – mas todas – as pessoas dessa idade consigam ver.

planos para 2017: fui convidado a desenhar e os mostrar para pessoas de 5 anos, no que me indago: como fazer desenhos que só os dessa idade vejam?