Atenção: este site é – quero dizer que ele também é, para além de ser o que já é – um trabalho de conclusão de curso.

(só percebi isso agora)

Não somos totalmente visíveis.

ou

Minha visibilidade depende de vocês.

ou

Meus amigos são eu à luz.

nem tanto fugir do público, tampouco ter tanta fé no privado. não depende só de mim minha narração, minha existência. Lembrei:

Por que eu não sou o centro do universo?
Gosto quando minha cadela, Nikita, pula em mim quando eu chego em casa. Porém, num dia chuvoso, ela veio pular com patas molhadas, respingando água em mim. Resmunguei com ela e, ao resmungar, parei e percebi o paradoxo: éramos três elementos, chuva, ela e eu, em tempos e percepções distintos e, mesmo assim, coexistindo.
Nenhuma relação prevalece: chuva-ela; eu-ela; ela-eu; eu-chuva; chuva-eu…
Respondendo e corrigindo a pergunta gênese:
Eu não sou o centro de minha existência.

(ia colar um link aqui, mas preferi não. penso tanto em invisibilidade para logo agora mostrar tudo, deixar tudo a vista? não. tem que ser diferente)

 

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– uma vez cheguei a escrever sobre uma vez em que tirei o cabelo de uma pessoa que estava num banco a frente do meu no onibus de quase encostar num chiclete grudado. lembro que depois de escrever isso escrevi logo abaixo, num outro parágrafo, que tinha estragado tudo escrevendo sobre aquilo, já que naquele momento aquilo já não era mais totalmente inexistente para qualquer outra pessoa além de mim. estava documentado. qualquer um poderia saber então.

hoje e ontens estou pensando nessas coisas de fazer coisas que ninguém veja, ou que um só veja, ou que não se possa virar história, ou que vire, mas sempre guarda algo de sua intangibilidade……

…. amigos, amigas, desconfiemda minha escrita. ela não expressa o que eu quero dizer. eu sou melhor que isso. eu promento.
(mais uma vez, repito meus procedimentos; crítica a(crase?) escrita, a(tem crase?) visibilidade, e depois criticar tudo isso, mergulhando num problema sem fim.

tautologia)

ops. escrito s em parênteses tornam-se invisíveis.

Desculpas pelo não visto.

ou

Você não vai ver tudo.

ou

Meus amigos são a forma de que eu, ou algo de mim seja visto.

ou não.

 

Croqui realizado por Antonio Gonzaga Amador.

Fotografia do teste realizado na galeria do sec. XIX do Museu Nacional de Belas Artes. Sobre a obra que meu corpo bloqueia a visão, Antonio escreveu:

A obra em questão, no contexto do MNBA, é  “Giuventú” de pintor Eliseu Visconti localizada na Galeria do Século XIX. Segundo Hugo Auler, A tela “Giuventú” de Elyseu Visconti equipara-se à “Gioconda” de Da Vinci pelo que tem de sensibilidade e de composição. A paisagem em profundidade, cuja perceptividade ainda é formada por um renque de árvores, de modo a dilargar o espaço pictorial, o colorido suave e etéreo a fatura de óleo, a figura da menina moça despida de sensualismo, a lembrar uma figura do prérafaelismo, onde são mais eloqüentes do que as palavras a linguagem da tensão do corpo e a penetração do olhar, misto de timidez, de aturdimento e de abstração, tornam esta obra de arte uma peça autentica de museu.Sendo assim, o movimento da performance é uma sobreposição de camadas de visualidades e tensões sobre as imagens (do quadro de Visconti e do corpo do segurança) e a relação do espaço do museu com um espaço de disputa de poder.

 

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Rubens Gerchman, Lindonéia – a Gioconda do subúrbio, 1966, vidro colagem e metal sobre madeira, 60×60 cm. Coleção Gilberto Chateaubriand

Excertos do meu Portfólio onde apresento o texto mailexpressivo@gmail.com senha: meioexpressivo e alguns printscreens que indicam que perdi seu acesso, ou seja, que outra pessoa mudou a senha do e-mail.

MUSEU DE ARTE DO RIO

GERÊNCIA DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA: CONVERSA DE GALERIA E ATIVIDADE EDUCATIVA
FORMULÁRIO DE PROPOSIÇÃO E ACOMPANHAMENTO

Livre proposição de atividade educativa: Mail expressivo

Em meados desse ano, pensando em problemas relativos ao campo da arte que estudamos e conhecemos, tive um pequeno lampejo: criei o e-mail mailexpressivo@gmail.com. Contudo, não sabendo bem o que fazer com ele e nem ao certo o que queria com este trocadilho verbal que acabara de ganhar vida deixei-o guardado, crendo que encontraria à frente ocasião e clareza suficiente para que este estivesse inserido no mundo. Acredito que a exposição Pernambuco Experimental, bem como as pesquisas em Arte Correio no GT Vontade Construtiva21 e o próprio lugar do MAR – geográfico, histórico, vocacional – constituem esta ocasião necessária.

Penso em uma ação chamada Mail expressivo, onde criaríamos uma base (mesa, cadeira, notebook…) de envio de arte por e-mail, mail art, ou qualquer outro nome, convidando todos a realizar isto através de um e-mail homônimo à ação (que tal um mailexpressivo@museudeartedorio.org  ?), o que instigaria este envio de forma anônima para os participantes. Pensando nas ferramentas para a confecção desses trabalhos, a possibilidade de tecnologias utilizadas também pelos artistas presentes na exposição, como por exemplo, câmeras filmadoras, como no trabalho em vídeo de Daniel Santiago e Paulo Bruscky em que ambos aproximam suas câmeras até que encostem, ou impressoras com scanner, como nos trabalhos de Paulo Bruscky em que ele escaneia seu corpo. Acredito nesta possibilidade como atualização das práticas desses artistas no uso das novas ferramentas da internet e para que seja possível chegar à transmissão dessas práticas e desse contexto da arte brasileira aos participantes da ação, ainda que não tenha conseguido formatar esta em seus detalhes, o que impede que escreva o Formulário de Proposição padrão e tenha optado por uma escrita mais livre para dar conta desta ideia inicial. Tudo que aqui aponto é provisório e reversível, a ser construído com o GT.

O MAR antes foi Terminal Rodoviário Mariano Procópio, lugar de chegada e de partida de pessoas de todos os lugares.  O ‘Museu poroso’ tão propalado é metáfora para a absorção e o atravessamento de todas as instâncias e contradições que aí estão – como na chegada a uma rodoviária – mas também é metáfora do escorrimento e expulsão do que passa por esta porosidade que não é neutra, pensando em uma esponja que turva a água que a adentra e pensando na qualidade de partida presente neste lugar, terminal rodoviário e museu. A possibilidade do uso da arte postal no pré-visita dos grupos escolares, como pensamos em reunião no GT, assim como ações que partam do MAR para outros lugares, onde acredito que a proposição Mail expressivo se insere, são potenciais na qualidade de partida deste lugar, como exercício prático e ilustrativo desta.

Terminado este texto no início do dia 16/12/2013, me declaro oficialmente de férias. Até o ano novo!

Beijos,
Jandir Jr.

Texto onde propus ao Museu de Arte do Rio (MAR), instituição onde trabalhava como educador estagiário à época, a utilização do mailexpressivo@gmail.com em uma atividade educativa que havia concebido. Tal atividade, ainda que tenha sido divulgada posteriormente na programação do museu, nunca foi realizada.

 

Há alguns meses, aquela pessoa que mudou a senha do mailexpressivo@gmail.com o devolveu, me dizendo que eu deveria aprender que as pessoas são más, que eu invariavelmente perderia o e-mail e que era sorte que fosse ela, e não outra pessoa, a tomá-lo de mim.

Não é por esse aprendizado, mas, a partir de hoje, utilizarei mailexpressivo@gmail.com como meu e-mail pessoal. Já não esperava ter este e-mail de volta e, em algo por isso, já não sabia o que fazer com ele quando o tive em mãos. Apesar de plenamente possível divulgar novamente sua senha a qualquer um, não o fiz. A intervenção de quem tomou o e-mail pra si mudando sua senha me fez desejar agir com mailexpressivo@gmail.com a partir deste acontecimento, tomando ele como uma mudança importante para minha relação com este endereço online. Dar sua senha tal qual em 2015, ou ainda pensa-lo como um dispositivo educativo como em 2013 no MAR, não parecia responder a provocação que recebi, ainda que não tivesse nada a aprender com o que me foi dito, já que o interesse no texto mailexpressivo@gmail.com senha: meioexpressivo existia em grande parte na sua fragilidade enquanto dispositivo comum22, dado a todos. Ao observar meu modo de trabalho atual, que tem privilegiado tomar pra si a responsabilidade de definir – ou de se fazer em – seu endereçamento, materialização, visibilidade (ainda tenho dificuldades em definir seus termos), tive alguma sensação de que deveria utilizar, e somente utilizar, o mailexpressivo@gmail.com, e a partir daí definir o que neste meio expressivo irá se expressar.

Todavia, confesso que essa decisão só me veio quando, esses dias, vi que o e-mail do escritor Paulo Scott, que pesquisava então, é habitanteirreal@gmail.com. Só aí entendi os e-mails pessoais como também nosso lugar de escrita, não só no que eles enviam a outros e-mails, mas nas palavras que antecedem os @.

 

Muitos  desses  projetos  fundamentais  para  os  anos  70  foram ações e situações efêmeras, que só existem hoje como registros. A fotografia, os filmes Super-8 e 16mm e, posteriormente,  o  vídeo  ocupam  aqui  lugar privilegiado.  Há  certa  intenção  de  permanência  de  algo  que definitivamente escapa. Essa presença ausente é o que caracteriza a produção dos anos 70

FREIRE, C. O presente-ausente da arte dos anos 70. In: Anos 70 trajetórias Iluminuras. São Paulo: Itaú Cultural, 2005. Disponível em <http://www.mac.usp.br/mac/1963GEACC/textos/014.pdf>

(Penso Dar minhas ideias para os desconhecidos. em algo próximo dessa presença ausente na produção dos anos 70. O diferencia, neste caso, não ser referente de uma “situação efêmera”, mas ser relativo a um caderno, o qual tem suas condições de durabilidade num tempo maior em comparação às produções estudadas por Cristina Freire. Ressalvado isto, sua presença ausente se faz em, sendo um caderno de trabalho que somente existia na minha bolsa e, agora, no fundo da minha gaveta, estar reproduzido numa publicação que o reproduz precariamente ao não buscar mimetiza-lo tal qual fac-símile e nem nublar a maneira como sua imagem foi transferida à ela através de um scanner. Potencialmente, esta publicação retornará ao seu leitor o fato de não estar frente ao caderno que ela reproduz. Seu título, Dar minhas ideias para os desconhecidos., uma das sentenças imperativas anotadas no caderno, é a síntese de sua pretensão: entendendo cumprir esta frase, canibaliza-a enquanto título para dar a entender que não pretende ser o caderno em si, tampouco sua reprodução. (Apesar de ser esta presença ausente de que falei até aqui, a é por acidente.) Sua única pretensão é dar aquelas ideias, até então somente anotadas num caderno, aos desconhecidos, que não são outros que não o público, unidade abstrata, primeiríssima invenção dos artistas e dos etc.20)

Tava a todo tempo pensando em criação e autoria quando fiz o caderno [que foi documentado na minha publicação Dar minhas ideias para os desconhecidos.], buscando as vezes anotar nele coisas que problematizassem essas categorias – ou seja, deixassem elas ainda mais patéticas do que já são. É foda como pensar nisso do filho [referência à ”Fazer um bebê.”, presente em uma das páginas do caderno] te põe menor, te faz pequeno mesmo, tantas coisas acontecem contigo nisso.

Excerto dum email que enviei.

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  1. Encontro perdidos nas ruas endereços anotados em papéis.
  2. Os ponho em envelopes destinados aos destinatários que carregam e, com meu endereço e nome em remetente, envio-os por correios.
  3. Após isso, expecto.

(Um dia, um senhor foi de sua casa – em um bairro distante – até a minha de bicicleta. Eu não estava em casa e minha mãe foi quem o atendeu. Não o conhecíamos. Ele disse estar preocupado: recebera um envelope com meu nome e endereço, destinado a ele, contendo um papel pequeno com seu próprio endereço anotado. Não sabia o que era aquilo, se estavam usando o nome dele pra lavar dinheiro, se ele tinha virado laranja de algo que nem sabia. Foi quando minha mãe disse que provavelmente eu tinha feito aquilo. – Mas por quê? – Ah, ele faz essas coisas. Liga não. – ela respondeu. Imagino seu rosto confuso ao ouvir essa resposta, e a situação de minha mãe dizendo isso ao homem. Bem, após esse ocorrido deixei de fazer este trabalho: julguei que estava lidando com as relações humanas de maneira torpe, desleixada, como se fossem uma matéria qualquer, não-senciente, a ser manipulada: tinta, mármore, qualquer coisa dessas. Os artistas ativistas, relacionais, que lidam na alteridade, lançam mão disso a todo momento, pelo que vejo, e mesmo sem desejarem fazer isso. Na mão do artístico, o ‘outro’ é matéria a ser burilada, muito mais do que aquele que motiva a condição inescapável de conjugarmos o ‘nós’. O artista não conjuga o nós: assina sozinho. Mas eu não quero ser um deles; nem pela hipocrisia sobre o que fazemos, nem pela inocência sobre o que é realmente estar junto, nem pela vilania com os outros )