Pedi para uma pessoa desconhecida escrever a palavra luto neste papel | 2015 | Nanquim sobre papel | 22,5 x 18 cm.

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Escola de Belas Artes

Graduação em Artes Visuais – Escultura

 

Relatório do trabalho final

 

Discente:

Jandir Gomes dos Santos Junior

DRE: 110123186

 

Trabalho apresentado à Profa. Raquel Versieux na disciplina Escultura em madeira.

 

Rio de Janeiro, Junho de 2015

Caderno de caligrafia | 2014 | Livro encadernado – Caneta esferográfica, impressão e nanquim sobre papéis | 21 x 29,7 x 3 cm. | Trabalho apresentado ao professor Reuber Gerbassi Scofano na disciplina Questões fundamentais da filosofia na educação, na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro | Coleção Reuber Gerbassi Scofano

Quando cursei a disciplina Oficina 3D II (EBA/UFRJ), a professora – Gabriela Mureb – propôs em uma das aulas que, como exercício, usássemos uma câmera nos arredores do prédio da Reitoria e buscássemos fotografar o invisível. Não aquele invisível social ou algo do tipo, mas que tentássemos capturar o incapturável, que déssemos visibilidade ao que não se pode ver.

Apesar de ter realizado o exercício, não apresentei meu resultado no dia acordado para isso. Ao fim do semestre, na última aula, entreguei um envelope
com as fotografias que criei para dar conta da proposição e pedi à Gabriela que escrevesse seu endereço nele, para que eu enviasse a ela posteriormente. Fiz isso pois ela pediu a toda turma que pensasse qual modo de exibição seria o melhor para apresentar o trabalho. Todos meus companheiros de aula apresentaram em paredes ou mesas suas fotografias, no tempo certo, no dia estipulado para isso. Já eu preferi lidar com o tempo e a dívida como adensamentos sobre a polarização usual de visibilidade x  invisibilidade. E ainda lido com dívida e tempo, pois ainda não levei o envelope aos correios. Mas essa semana vou levar.

Sem título | 2014 | Ação

Trata-se de um exercício irônico conceber um texto crítico a respeito de Pique-Pedra. Isto porque as ações do Jandir, e especificamente essa, me soam quase sempre uma espécie de resistência ao que possa enquadrar-se num campo confortável de crítica e arte. Pique-Pedra explica-se. Convoca sua autonomia, sobretudo. E faz isso segundo a frágil rigidez de regras extensíveis e indeterminadas, a não ser pelo material em questão: a pedra. A questão é que Jandir quer se eximir da criação do jogo entendendo que sua ação foi simplesmente desvelá-lo a nós. O que faz é dizer-nos: estão todos a jogar.
Enquanto constroem, enquanto produzem joias, estão todos a jogar. E o faz trazendo a amplidão dessa lógica à um exemplo de literalidade: recolhe algumas pedras portuguesas, já deslocáveis em nome, e as amontoa sobre a mesa, anexando um texto com as instruções. Tudo isso se faz numa dinâmica irônica que forja jogadores inescapáveis de uma lógica cotidiana também
lúdica.

[…]

Não se trata de um arranjo surreal ou irreal. Não posso negar a coerência de Pique-Pedra, como não nego a do Pique-esconde ou de qualquer dinâmica lúdica. Os perseguidos ou fugitivos também brincam de pique-esconde assim como os construtores (ou qualquer deslocador de pedras, segundo a regra) brinca de pique-pedra. O ludus faz-se como uma nova camada de sentido
depositada por cima da ação. Esse sentido, sobretudo, reativa uma ação dormente, reproduzível, desnuda-a porque faz ver. […] Como diria Huizinga, a respeito do Homo Ludens, “A existência do jogo é inegável. É possível negar, se se quiser, quase todas as abstrações: a justiça, a beleza, o bem, Deus. É
possível negar-se a seriedade, mas não o jogo.”

Pollyana Quintella
Excerto do texto crítico à respeito da ocupação

Sem título | 2014 | Deslocamento de pedras e distribuição do texto Pique-pedra na ocupação Novas Poéticas, na EBA/UFRJ